Calculadora de Escada (degraus)
Vai construir ou reformar uma escada e não sabe quantos degraus cabem no vão? Informe a altura total a vencer e a altura desejada do degrau: o resultado aplica a fórmula de Blondel para manter cada passo confortável.
Fórmula de Blondel aplicada ao seu vão
Primeiro, a calculadora descobre quantos degraus cabem na altura total. Para isso, divide a altura a vencer pela altura ideal do degrau (o espelho) e arredonda para o número inteiro mais próximo:
Número de degraus = arredondar(Altura total ÷ Espelho ideal)
Como os degraus precisam ser todos iguais, o espelho real é recalculado dividindo a altura total pelo número de degraus encontrado. Em seguida, o piso (a pisada) sai da regra de Blondel. Ela tem endereço e data: foi publicada por François Blondel, diretor da Academia Real de Arquitetura de Paris, no Cours d'architecture de 1675, na forma M = 2h + g — dois espelhos mais um piso equivalem a um passo. Mais de três séculos depois, ela continua dentro das normas brasileiras de saída de emergência:
2 × Espelho + Piso = 63 a 64 cm → Piso = 64 − 2 × Espelho real
Degraus mais altos exigem piso mais curto, e degraus mais baixos pedem piso mais largo. Mantendo o espelho entre 16 e 18 cm, o resultado cai na faixa que as normas listadas nesta página aceitam. O limite de 64 cm merece uma explicação à parte, porque ele não é o mesmo em todo o Brasil.
63 a 64 ou 63 a 65? A faixa muda conforme a norma
Quem procura a fórmula de Blondel em português encontra dois limites superiores diferentes, e nenhum dos dois está errado: a faixa depende de qual norma você abrir. A Instrução Técnica nº 08 do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais e a Norma Técnica nº 010/2015 do Distrito Federal escrevem a relação como 63 cm ≤ (2h + b) ≤ 65 cm. Já a Norma Técnica 11/2022 do Corpo de Bombeiros de Goiás fecha a mesma relação em 64 cm.
Esta calculadora usa 64 cm como constante. É o maior valor que respeita o teto mais apertado, o de Goiás, sem sair da faixa das outras normas — o piso que aparece no resultado continua válido nos três textos. Se o seu projeto responde a uma norma que admite 65 cm, some 1 cm ao piso sugerido e você continua dentro da faixa.
| Documento | 2 × espelho + piso | Espelho | Piso |
|---|---|---|---|
| IT nº 08, 2ª ed. — CBM Minas Gerais | 63 a 65 cm | 16,0 a 18,0 cm (tolerância 0,5 cm) | — |
| NT nº 010/2015 — CBM Distrito Federal | 63 a 65 cm | 16 a 18 cm | 28 a 32 cm |
| NT 11/2022 — CBM Goiás | 63 a 64 cm | — | — |
| NBR 9050:2004 (edição cancelada) | 63 a 65 cm | 16 a 18 cm | 28 a 32 cm |
Os traços marcam valores que não conferimos nesta revisão, não ausência na norma. A linha da NBR 9050 vem da edição de 2004, que já foi substituída: ela entra aqui como referência histórica de acessibilidade, e a versão vigente da norma é paga e distribuída pela ABNT. As faixas de espelho e de piso valem conferir separadamente da fórmula, porque um degrau pode fechar a conta de Blondel e mesmo assim ter piso curto demais para o pé inteiro.
Espelho acima de 18 cm também não é livre. A Instrução Técnica de Minas Gerais só admite 19, 20 ou 23 cm em escada de uso restrito — acesso a mezanino e a áreas exclusivamente de serviço, com população inferior a 20 pessoas — e, mesmo nesse caso, a relação de Blondel continua valendo.
Degraus, espelho e piso em alturas diferentes
| Altura total | Espelho ideal | Degraus | Espelho real | Piso |
|---|---|---|---|---|
| 280 cm | 18 cm | 16 | 17,5 cm | 29,0 cm |
| 300 cm | 18 cm | 17 | 17,6 cm | 28,7 cm |
| 270 cm | 17 cm | 16 | 16,9 cm | 30,3 cm |
| 250 cm | 18 cm | 14 | 17,9 cm | 28,3 cm |
Para que serve dimensionar a escada antes da obra
- Projetar uma escada nova em obra ou reforma residencial;
- Definir quantos degraus cabem entre dois pavimentos ou para um mezanino;
- Conferir se uma escada existente está dentro da faixa de conforto;
- Planejar uma escada de marcenaria, deque ou pequeno desnível no jardim.
Antes de marcar os degraus, confira a medida de partida
O erro que mais estraga escada não está na fórmula, e sim na altura total informada. A medida certa vai de piso acabado a piso acabado. Quem mede do contrapiso ao teto esquece a espessura da laje e do revestimento do andar de cima, e a diferença aparece inteira no último degrau. Depois de rodar a conta, olhe também o espelho real: se passar de 18,5 cm — o teto de 18 cm mais a tolerância de 0,5 cm que a Instrução Técnica de Minas Gerais admite —, teste um degrau a mais; se ficar abaixo de 16 cm, um a menos. Um degrau para lá ou para cá costuma devolver a escada à faixa sem mexer no vão.
O que este pré-dimensionamento não cobre
Trate o resultado como ponto de partida para a conversa com quem vai assinar o projeto: é o profissional que confirma se a escada cabe no vão e atende ao código de obras do seu município. A conta cuida somente da relação entre espelho e piso, assumindo o último degrau no nível do piso superior. Ficam de fora a largura da escada, a altura de passagem sob os degraus, o comprimento horizontal disponível e itens como corrimão e guarda-corpo. Escadas de uso coletivo e rotas de fuga seguem a NBR 9077, a NBR 9050 e a instrução técnica do corpo de bombeiros do seu estado, com exigências que vão muito além da regra de Blondel. Nas duas normas ABNT, o texto que circula gratuitamente costuma ser o antigo: a NBR 9077 ganhou nova versão publicada em 16 de julho de 2025, no lugar da edição de 2001, e a NBR 9050 de 2004 também já foi substituída. Confira a edição antes de usar.
Esta calculadora não verifica conformidade normativa. Ela aplica uma relação de ergonomia e devolve números de pré-dimensionamento. Nada aqui atesta que a escada atende à NBR 9077, à NBR 9050, ao código de obras do município ou às exigências do corpo de bombeiros. Quem faz essa verificação é o profissional habilitado responsável pelo projeto.
Fontes e metodologia
Os números desta página foram conferidos linha a linha contra os documentos abaixo em 21/07/2026. Quando as normas divergem entre si, a página mostra a divergência em vez de escolher uma versão em silêncio. A faixa de conforto de 60 a 65 cm que aparece na fonte francesa é histórica e mais larga que a brasileira: ela sustenta apenas a origem da fórmula, não os limites usados no cálculo.
- Instrução Técnica nº 08, 2ª edição — Saídas de Emergência em Edificações Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais A relação 2h + b entre 63 cm e 65 cm, o espelho de 16,0 a 18,0 cm com tolerância de 0,5 cm e a restrição dos espelhos de 19, 20 e 23 cm às escadas de uso restrito. Consultado em
- Norma Técnica nº 010/2015 — Saídas de Emergência Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal A faixa de piso de 28 cm a 32 cm, o espelho de 16 cm a 18 cm e a relação 2h + b entre 63 cm e 65 cm. Consultado em
- Norma Técnica 11/2022 — Saídas de Emergência Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás O limite superior de 64 cm para a relação 2h + b, mais apertado que o de outros estados — é a constante que esta calculadora usa. Consultado em
- NBR 9050:2004 — Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos (edição cancelada) ABNT (cópia em PDF hospedada pela FGV/EPGE) Piso de 0,28 a 0,32 m, espelho de 0,16 a 0,18 m e a relação p + 2e entre 0,63 m e 0,65 m. Edição de 2004, já substituída; a versão vigente é paga e distribuída pela ABNT. Consultado em
- Publicação da revisão da ABNT NBR 9077 ABDEH — Associação Brasileira para o Desenvolvimento do Edifício Hospitalar, Comitê Técnico-científico A nova versão da NBR 9077 foi publicada em 16 de julho de 2025, no lugar da NBR 9077:2001. Consultado em
- Construire un escalier : la formule de Blondel Bibliothèque nationale de France — portal Passerelles A origem da fórmula: François Blondel, diretor da Académie royale d'architecture, no Cours d'architecture de 1675, na forma M = 2h + g. Consultado em
Perguntas frequentes
Quantos degraus terá a minha escada?
O número de degraus é a altura total a vencer (do piso de baixo ao piso de cima) dividida pela altura ideal de cada degrau, arredondada para o inteiro mais próximo. Para uma altura de 280 cm com degraus de cerca de 18 cm, são 16 degraus.
O que é o espelho e o que é o piso da escada?
O espelho é a parte vertical de cada degrau, ou seja, a altura que você sobe a cada passo. O piso (ou pisada) é a parte horizontal onde você apoia o pé. Os dois juntos definem o conforto da escada.
Qual a altura ideal de cada degrau (espelho)?
De 16 a 18 cm. Essa é a faixa que as normas de saída de emergência dos bombeiros de Minas Gerais e do Distrito Federal fixam para o espelho, e é também a que a NBR 9050 de 2004 adotava para acessibilidade. A Instrução Técnica nº 08 de Minas admite uma tolerância de 0,5 cm. Espelhos de 19, 20 ou 23 cm só aparecem nessas normas em escadas de uso restrito, como acesso a mezanino e a área exclusivamente de serviço com população inferior a 20 pessoas. A calculadora ajusta o espelho real para que todos os degraus tenham exatamente a mesma altura.
O que é a regra ou fórmula de Blondel?
É a relação publicada por François Blondel em 1675, no Cours d'architecture, entre a altura do degrau e a profundidade da pisada: 2 × espelho + piso equivale ao passo médio de uma pessoa. Quanto mais alto o degrau, mais curto deve ser o piso, e vice-versa. O valor dessa soma varia conforme a norma brasileira que você consultar: 63 a 65 cm na Instrução Técnica nº 08 do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais e na Norma Técnica nº 010/2015 do Distrito Federal, e 63 a 64 cm na Norma Técnica 11/2022 de Goiás.
Qual a largura ideal do piso (pisada) do degrau?
De 28 a 32 cm, faixa que aparece tanto na Norma Técnica nº 010/2015 do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal quanto na NBR 9050 de 2004. Vale conferir esse limite separadamente: um degrau pode fechar a conta de Blondel e ainda assim ter piso curto demais para apoiar o pé inteiro.
Por que o espelho real é diferente do que eu digitei?
Você informa a altura ideal apenas como referência. Como o número de degraus precisa ser inteiro, a calculadora recalcula o espelho real dividindo a altura total pelos degraus encontrados. Isso garante degraus iguais, sem nenhum "meio degrau" sobrando no fim.
Esses valores valem para qualquer escada?
Eles servem como ponto de partida para escadas residenciais comuns. Escadas de uso coletivo, comerciais ou de fuga seguem normas próprias (como a NBR 9077 e a NBR 9050) com exigências específicas de piso, espelho, largura e corrimão. Sempre confirme as normas locais e consulte um profissional.